http://www.magis.unisinos.br/feed/atom Revista Magis Unisinos 2012-05-16T22:13:21Z Unisinosmagis@unisinos.brhttp://www.magis.unisinos.br Desenvolvimento Web Unisinos http://www.magis.unisinos.br/images/icon_feed.jpg http://www.magis.unisinos.br/images/logo_feed.jpg © Copyright 2010 - Unisinos - Todos os direitos reservados uri:147O algoz da web2010-06-22 21:19:23 Imagine você um desses sujeitos típicos do Vale do Silício, fundador de uma companhia de música na web ainda no ano de 1995, que viveu toda a efervescência do início da internet. Uma pessoa que lucrou com os meios digitais e, por anos a fio, trabalhou como executivo de empresas de tecnologia nos Estados Unidos.Agora, pense nesse mesmo indivíduo como o algoz da web, acusando-a de causar a destruição da cultura e dos valores da sociedade. Mais, acusando-a de ser a responsável pela degeneração de centenas de pessoas viciadas em jogos de azar, além de desvirtuar crianças com conteúdos pornográficos e acabar com o ganha-pão de jornalistas, músicos e de toda uma cadeia de empregados na indústria do entretenimento e da informação. Impossível?Andrew Keen, autor do livro O culto do amador: como blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores, encarna bem o personagem descrito acima e prova que é possível fazer a virada. De empreendedor a crítico dos meios digitais, Keen levanta uma série de dados espantosos que servem à sua tese de que a internet e o uso que as pessoas têm feito dela têm transformado a cultura em uma rede de banalidades e desinformação.Ele se fundamenta na ideia de que a participação das pessoas na internet acabou com a qualidade do que se consome nos meios digitais. A web 2.0 desponta como a grande vilã que possibilitou que o material gerado por amadores assumisse o espaço de notícias, músicas, filmes, livros e tantos outros conteúdos criados por profissionais especializados e remunerados pelo trabalho intelectual que executavam.Entre os exemplos da degradação em que a web teria se tornado, o autor cita sites de vídeos como o YouTube. Com conteúdo fruto de reaproveitamento de materiais antigos e de outras mídias, reeditados e repaginados, o canal de vídeos da Google estaria por promover o consumo incessante de velharias, sem produzir nada de novo.No campo do jornalismo, as críticas dirigem-se às empresas e ao público, que deixam de valorizar a informação qualificada e de confiança, como se presume, preparada pelos profissionais, para se contentar com a produção de indivíduos sem formação, autores de blogs e colaboradores de sites de notícias, que diariamente despejam uma quantidade imensa de dados na web.A leitura de O culto do amador inspira a reflexão da primeira à última página – ora fazendo emergir um sentimento de revolta, ora despertando uma sensação agradável de concordância. A discussão, em certos momentos, revela uma percepção limitada da realidade pós web 2.0 por parte do autor, que deixa de reconhecer o verdadeiro potencial da internet como instrumento de democratização do acesso à informação.Ao mesmo tempo, ao apresentar o tema da confiança nas informações que circulam e que os indivíduos publicam na web, Keen alerta para os objetivos escusos por trás de notícias distorcidas e mal apuradas, para o uso de dados inseridos em sites, redes sociais e até nos inofensivos buscadores.Retrógrado, visionário ou oportunista? Leia O culto do amador e tire suas próprias conclusões.Ex-empreendedor da área de tecnologia acusa internet de transformar a cultura em uma rede de banalidades2010-06-22 21:19:23 uri:155A vez dos empreendedores / 22010-06-23 13:23:55Janaína Carneiro, professora do Curso de Administração da Unisinos 1) Por que a palavra empreendedorismo virou moda?   2) É possível aprender a ser empreendedor? 3) É verdade que o brasileiro é naturalmente empreendedor? Por quê? 1) Em primeiro lugar, é importante entender que o mundo atual está em completa transformação. “O mundo não é mais o mesmo” é um jargão comum, mas poucos entendem o seu real significado. Vivemos em um ambiente global, conectado 24horas por dia, com quase 7 trilhões de habitantes e, ainda que a desigualdade social me desole pessoalmente historicamente não havíamos registrado um mercado consumidor ativo tão expressivo como o que temos hoje em escala mundial. Os níveis de educação, as liberdades individuais e o acesso à informação também são fatores que contribuem para que os indivíduos façam escolhas qualificadas. Por um lado, temos um ambiente rico em oportunidades, mas, por outro, bastante inseguro. O mesmo ambiente que acirra a concorrência prioriza, muitas vezes, “enxugar” custos – ou seja, reduzir o emprego. É nesse jogo de empurra-empurra que muitas necessidades não são atendidas e novas demandas são geradas. É aí que entra o empreendedorismo. Criar, inovar, arriscar com planejamento... Essas são as palavras de ordem! Não só para os indivíduos mas também para as organizações em geral.2) Pessoalmente, desconheço qualquer coisa que não possa ser aprendida na viva. Por cerca de nove meses, todos somos células em desenvolvimento. Depois que nascemos, aprendemos tudo, inclusive a andar! Por que não aprenderíamos a ser empreendedores? Como digo aos alunos, se não quiserem ser empreendedores, façam essa escolha conscientemente e estejam atentos de que é esse perfil que o mundo necessita neste momento.Vale ainda lembrar que ainda há falta entendimento do que é ser empreendedor de fato, pois muitos confundem ser empreendedor com ser empresário/administrador/gerente. Ou que ser empreendedor significa ter uma empresa, de preferência pequena. Ser empreendedor é mais do que a forma como o indivíduo econômico gera renda e se ocupa, é uma ATITUDE, traduzida em competências específicas que alguns, por estímulo na vida ou na educação, já tiveram desde cedo e outros não. 3) O brasileiro ainda tem uma cultura paternalista e hierarquizada, que não promove a iniciativa, visão de longo prazo e tolerância ao risco, um pouco por razões históricas e mais pela estrutura educacional, que não estimula a autonomia e transdisciplinaridade. O que faz o senso comum afirmar que o brasileiro é naturalmente empreendedor é a sua característica de “virador”, “o jeitinho” que são mais características de sobrevivência do que de cultura empreendedora.Segundo a pesquisa Global Entrepreneuship Monitor (GEM), em 2008, 2,93% da população adulta tocava empreendimentos nascentes (com até três meses de existência) no país. Em 2009, esse número saltou para 5,78%. A pesquisa mostra ainda que a maior parte dos negócios está nas mãos de jovens: 52,5% dos empreendedores têm entre 18 e 34 anos, o que demonstra que este grupo é mais resultado de investimento na educação empreendedora, políticas públicas e melhores condições econômicas para empreender do que uma característica intrínseca da população. Por outro lado, a taxa de intraempreendedorismo (empreendedorismo dentro das empresas e organizações), ficou em apenas 0,6%, em 2008, isto é, foram identificados pouquíssimos brasileiros que, com suas atitudes, contribuíram para a inovação nas empresas em que trabalham."Criar, inovar, arriscar com planejamento... Essas são as palavras de ordem!"2010-06-23 13:23:55 uri:152Com e para os demais2010-06-23 12:40:58Carlos Alberto Jahn, jornalista, jesuíta, professor de Jornalismo e doutorando em Comunicação Em 2009, jesuítas colaboravam na educação em 72 países, com educação popular, colégios, escolas técnicas, centros universitários e universidades. Como na Unisinos, os projetos político-pedagógicos e tantos outros documentos apoiam-se em termos como educação jesuíta, sistema pedagógico jesuíta e pedagogia inaciana. Mas o que significam?Já em uma perspectiva descritivo-histórica há diferenças. A Ratio Studiorum (1590-1773) foi o primeiro sistema pedagógico jesuíta. Atingiu dimensões globais e influenciou sistemas educativos nacionais, especialmente por apresentar uma gradualidade dos estudos, valorização da disciplina e forma de conceber a avaliação. Com a supressão dos jesuítas (21 de julho de 1773), ele foi praticamente extinto. Uma série de conflitos econômicos, políticos e culturais atingiu os países da Europa, suas colônias e a Igreja. O papa, então, decretou o fim da Companhia de Jesus, e todos os seus bens e atividades passaram aos estados nacionais. Quatro décadas depois, com a restauração, os jesuítas voltaram às atividades da educação. Porém, os estados nacionais, o uso das línguas locais nos sistemas educativos e os controles governamentais sobre os currículos dificultaram a retomada da proposta da Ratio.Ao longo dos séculos 19 e 20, os jesuítas retomaram a docência e a pesquisa. A inquietação por uma pedagogia frutificará na explicitação e formulação da pedagogia inaciana. Não uma volta à Ratio, mas a Inácio de Loyola e sua pedagogia do itinerário espiritual e da sua espiritualidade. Atenta aos lugares, às pessoas e aos tempos. Inácio tinha a convicção de que letras sem espírito não constroem humanidade, não refletem o rosto criador de Deus, nem cuidam amorosamente da terra. Espírito sem letras não toca a dinâmica do mundo, suas leis internas, que são decifradas pelas ciências e pela razão, nem se responsabiliza por elas. Nessa perspectiva, a pedagogia inaciana está fundada em uma visão de mundo, de antropologia e de ética cristãs. Traz as marcas do ideal renascentista, marcado por uma aposta no pleno desenvolvimento da pessoa humana e das suas potencialidades. Contempla a autonomia e liberdade. Visa a uma formação intelectual e acadêmica em vista das soluções dos problemas históricos. Busca a excelência, a justiça e o melhor serviço. É personalizante.Em termos práticos, no processo ensino-aprendizagem, cinco momentos se relacionam entre si, permeando toda atividade educativa: contexto, experiência, reflexão, ação e avaliação.Caberiam muitas páginas de detalhamentos dos aspectos teóricos e práticos da pedagogia inaciana. A título de conclusão, alguns frutos esperados: professores e educandos deveriam ter internalizado o aprendido, gerado reações afetivas, reagido em função destas e refletido sobre o valor e consequências do aprendido. Além dos domínios conceitual e prático, teriam desenvolvido competências para a tomada de decisões pessoais com sentido ético e social. Por isso, seriam homens e mulheres com e para os demais.Para saber mais sobre a pedagogia inaciana:- As Características da Educação da Companhia de Jesus (1986)- Pedagogía Ignaciana: uma proposta prática (1993)- Decreto 17, da Congregação Geral 34 (1995)- A Universidade da Companhia de Jesus à luz do Carisma Inaciano (2001)- Missão e Universidade: que futuro queremos? (2008)Marcação2010-06-23 12:40:58 uri:142A cura pela boca2010-06-22 20:09:53slides = 1“A tecnologia de ponta propicia uma alimentação de melhor qualidade”, afirma Denize Ziegler, da Escola de Alimentos da Unisinos Que frutas, verduras, legumes, grãos e lacticínios fazem bem à saúde todo mundo já sabe. O que pouca gente conhece é a ação dos chamados alimentos para a saúde ou alimentos funcionais. Além dos nutrientes já conhecidos, como vitaminas, fibras e proteínas, eles contêm substâncias que, se armazenadas em quantidades suficientes, podem ajudar a diminuir a pressão arterial, controlar o colesterol e amenizar problemas de estresse. Mais ainda: a partir dos alimentos funcionais, tem origem o processo denominado nutracêutica, que consiste no isolamento dessas preciosas substâncias para a elaboração de um fármaco que irá atuar como remédio na proteção contra doenças. A descoberta foi feita por pesquisadores japoneses na década de 1980, sendo consolidada em 1991, com a criação do selo Foods for Specified Health Use (FOS HU) – Alimentos para Uso Específico de Saúde. Após 30 anos, o estudo ainda dá os primeiros passos no Brasil. Porém, esse cenário está prestes a mudar. Em março deste ano, o Ministério da Ciência e Tecnologia aprovou a liberação de recursos para a instalação do primeiro polo de Alimentos para a Saúde, Funcionais e Nutracêuticos (Nutritech) da América Latina no Parque Tecnológico São Leopoldo, Tecnosinos. “Esse polo vem agregar valor específico ao que produzimos. Teremos tecnologia de ponta, que irá ajudar na produção de alimentos com melhor qualidade”, destaca Denize Ziegler, gerente da Escola de Alimentos da Unisinos, que está à frente do projeto. A ideia de um polo de alimentos teve início em 2002, quando a Unisinos fez os primeiros investimentos em pesquisa aplicada nessa área. Em 2007, com a criação da Escola de Alimentos, um projeto transdisciplinar que envolve os pontos em comum dos cursos de graduação em Nutrição, Engenharia de Alimentos, Gastronomia, Tecnologia de Alimentos, Biologia, Saúde Coletiva e Farmácia, o Nutritech passou a tomar forma. Começava aí a elaboração de um plano que aproximasse as pesquisas do setor empresarial. O projeto será submetido, no final do mês de junho, à apreciação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao MCT. A assinatura do convênio deverá ocorrer no mês de julho. As obras do complexo, que terá estrutura de cerca de 2 mil metros quadrados, estão previstas para iniciar em agosto deste ano, sendo concluídas em março de 2011. “Serão seis laboratórios de pesquisa e prestação de serviço com padrão internacional e mais sete plantas-piloto”, informa Denize. Os laboratórios irão trabalhar com microbiologia, microbiologia de alimentos, alimentos para a saúde, funcionais e nutracêuticos, bioquímica nutricional, segurança alimentar e cultura celular. Nas plantas – que irão atuar nas áreas de lácteos, bebidas, biotecnologia, nanotecnologia e nutracêutica, frutas e hortaliças, cereais, inovação e processo de conservação de alimentos –, as pesquisas serão colocadas em prática em uma escala piloto, que representa o processo industrial. O projeto ainda prevê a instalação de cinco empresas âncoras, que já atuam no mercado, e dez incubadas.Os funcionais e a indústriaA indústria alimentícia do país faturou, em 2009, R$ 291,6 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Indústrias da Alimentação (Abia). Esse faturamento deverá crescer ainda mais com a ampliação do segmento de alimentos funcionais. Algumas empresas, como a Santa Clara, Danone e Piá, já desenvolvem produtos nessa área. O Sanbios, da Santa Clara, por exemplo, é um queijo minas frescal probiótico que ajuda a regular a flora intestinal. Os probióticos são microrganismos vivos agregados aos alimentos, afetando, de forma benéfica, o desenvolvimento da flora microbiana no intestino. Os estudos iniciaram em 2005 e, três anos depois, o produto foi lançado. “Para conseguir a liberação junto aos órgãos responsáveis, tivemos que apresentar diversas pesquisas e estudos técnicocientíficos que comprovassem a eficiência dessas bactérias. Como o Brasil ainda é carente nesse tipo de pesquisa, muitas vezes apresentamos dados e artigos de empresas e laboratórios de fora do país”, comenta Ana Paula Melo Dominguez, supervisora de desenvolvimento de produtos da Santa Clara. Conforme ela, com a chegada do Nutritech, as pesquisas poderão ser desenvolvidas aqui, baseadas nos alimentos produzidos dentro do clima brasileiro. Por enquanto, os produtos funcionais atingem basicamente as classes sociais mais altas, por serem alimentos com um valor agregado que não condiz com os padrões econômicos das classes C e D. Estima-se que, com o avanço das pesquisas, seja possível descobrir outras propriedades em alimentos que fazem parte da cesta básica, como o arroz, por exemplo, trazendo benefícios a uma parcela maior da população. A criação de laboratórios específicos ajudará pequenas e grandes empresas do setor a se tornarem fornecedores mundiais. “Com o conhecimento técnico e a inovação tecnológica que serão aplicados no polo, grandes parcerias poderão ser firmadas e outras serão impulsionadas. Nós já desenvolvemos alguns produtos funcionais com o setor empresarial, como uma barra de cereal com frutas e microalgas, e temos outros grandes projetos em andamento. A construção desse centro de pesquisa só irá alavancar os nossos estudos”, destaca Janice Silva, coordenadora do curso de Engenharia de Alimentos. As empresas farmacêuticas também serão beneficiadas. Com laboratórios capacitados em nanotecnologia, as substâncias poderão ser facilmente extraídas dos alimentos e trabalhadas com tecnologia de ponta, que permitirá a elaboração de fármacos, como as nanocápsulas. As farmácias de manipulação igualmente poderão aproveitar a infraestrutura do Nutritech para realizar seus estudos. Uma miniusina, que fará parte dos laboratórios, permitirá que produtos líquidos, sólidos (como as cápsulas) e semissólidos (cremes) possam ser criados. “Faremos pesquisas integradas com as áreas de Engenharia de Alimentos e Nutrição para que as descobertas feitas por um segmento possam ser trabalhadas também pelo outro”, informa Ana Rita Breier, coordenadora executiva do curso de Farmácia.Soldados de NapoleãoEm 1800, Napoleão Bonaparte lançou um concurso para recompensar com 12 mil francos quem inventasse uma maneira de conservar alimentos para serem utilizados pelos soldados que participavam da Revolução Francesa. Um confeiteiro e cozinheiro francês chamado Nicolas Appert, que já estava estudando uma maneira de preservar os alimentos desde 1795, ganhou o prêmio e criou a primeira fábrica de engarrafamento de alimentos do mundo, a La Maison Apert. A ideia de Albert consistia em colocar leites, legumes e geleias dentro de uma jarra de vidro fechada com uma tampa de cortiça e selada com cera, que mais tarde era posta em água fervente. Em 1810, o mercador britânico Peter Durand patenteou um novo invento. Ao invés de conservar os alimentos dentro de jarras de vidros, que eram frágeis, ele criou um sistema em que o produto alimentício era posto para conservação dentro de latas. Dois anos depois, ele acabou vendendo sua patente para os também ingleses Bryan Donkin e John Hall, que montaram uma fábrica de enlatados e, em 1813, passaram a vender seus produtos para o exército britânico. A partir daí, esse tipo de alimento se expandiu não só na Europa como nos Estados Unidos, dando novo fôlego à indústria alimentícia. Nos séculos 19 e 20, com a eclosão de grandes guerras na Europa, a demanda por alimentos não perecíveis teve aumento considerável, fazendo com que a indústria alimentícia passasse a vender em grande escala para atender às demandas militares.O Nutritech, primeiro polo de pesquisa de alimentos para saúde da América Latina, será instalado no Tecnosinos2010-06-22 20:09:53 uri:151Que bonito é (*)2010-06-23 12:22:40slides = 2Imagens de campeonatos de várzea disputados em Porto Alegre O futebol é mais importante do que a vida. A sentença é absurda, mas ela captura 1.650.000 páginas da internet no Google. Em inglês, existem 207.000.000 de páginas na web relacionando as palavras vida e futebol. Em tempo de Copa do Mundo, então, nem é preciso ligar o computador para ficar cercado de referências ao esporte mais popular do mundo. Afinal, por que a gente (ou a maioria das pessoas) gosta tanto de futebol?Conforme Ruy Carlos Ostermann, colunista de Zero Hora, o futebol é uma “metáfora competitiva” da vida. “Ele reproduz os fatos mais importantes de nossa existência e os resolve dentro do campo de um modo que, talvez, como assistentes, não pudéssemos fazer”. O esporte bretão representa, entre outras coisas, o inesperado da vida. A concepção lúdica de um jogo no qual Davi sempre pode vencer Golias é um de seus principais atrativos. “Na Olimpíada de Barcelona, em 1992, todo mundo sabia que o dream team dos Estados Unidos ganharia a medalha de ouro do basquete masculino, como de fato ganhou. A questão era adivinhar o placar. No futebol, é diferente. Um time inferior tecnicamente, mas bem armado na parte tática, pode surpreender jogadores mais habilidosos, porém menos unidos ou organizados”, reforça o antropólogo Edison Gastaldo, ex-professor da Unisinos, hoje na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).Claro que, como tudo na vida, o futebol tem lógica. Mas a dinâmica do jogo permite que, dentro de campo, se manifeste um enorme potencial de acaso – o escorregão do atacante na hora de marcar o gol, o montinho artilheiro no qual a bola desvia e engana o goleiro... O cronista e dramaturgo Nelson Rodrigues dava um nome para esse elemento aleatório do esporte: Sobrenatural de Almeida. “A sorte se faz presente tanto no futebol como na vida. Não podemos planejar e controlar tudo durante o tempo todo”, constata Claudio Gutierrez, coordenador do curso de bacharelado de Educação Física e do Complexo de Desporto e Lazer da Unisinos. Ainda por cima, o futebol nos proporciona experiências estéticas sublimes. “A gente vai ao estádio na expectativa de que algo extraordinário aconteça, como um lance de craque que defina o jogo em favor do nosso time”, completa Gutierrez. Não dá para negar que, enquanto representação simbólica, o futebol é também um canal de expressão da pulsão agressiva do ser humano. Para Gutierrez, no entanto, “o processo civilizatório do esporte consiste justamente em canalizar essa pulsão, permitindo que as pessoas a exercitem sem que ela seja destrutiva a ponto de se transformar em violência”.A raiz popularEmbora se tenha notícia de que, por volta de 3000 a.C, os chineses praticassem o jogo como um treino militar, chutando as cabeças dos soldados inimigos, o futebol surgiu como gênero de entretenimento organizado na Inglaterra, no século 19. Começou como uma necessidade de afirmação da burguesia frente às práticas simbólicas da aristocracia. Durante muito tempo, os aristocratas se dedicaram a atividades como a caça à raposa, enquanto o resto da população suava no batente. Ao ascender socialmente, os burgueses elegeram suas próprias formas de lazer, a exemplo do turfe, da equitação e do futebol. De imediato, o futebol conquistou popularidade. Diferente de outras modalidades esportivas que exigem apetrechos específicos, como remo (barco) ou tênis (raquete), não requer equipamentos caros ou complexos. As regras são simples, fáceis de compreender. Um fundo de quintal, o canto de uma praça, até uma calçada íngreme, qualquer local pode representar o campo de jogo. Se faltarem as traves, bastam duas pedras. No aperto, um par de chinelos como imaginárias balizas. Uma bola de meia serve para substituir a verdadeira pelota. E se não tiver dinheiro para comprar uniforme, pronto: jogam os de camisa contra os sem camisa. “Se fosse beisebol, sem equipamento adequado, não saía jogo”, diz Gastaldo, autor de Nações em campo – Copa do Mundo e identidade nacional (Intertexto, 2006), organizado com Simoni Guedes.“Em função do fácil acesso, a classe operária inglesa rapidamente anexou o futebol ao processo de construção de uma cultura própria”, salienta Vitor Andrade de Melo, coordenador do Laboratório de História do Esporte e do Lazer, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. No Brasil, não foi diferente. Aqui também ele chegou pretensamente como esporte de elite, em 1894, quando o paulistano Charles Miller voltou de estudos na Inglaterra com uma bola de futebol na bagagem. De início, o novo esporte atraía um público de engravatados. Já no começo do século 20, porém, proliferavam times de padeiros, gráficos, sapateiros etc. “No momento em que a elite permitiu que negros e operários disputassem campeonatos, a raiz popular do futebol conquistou o mundo”, anota o jornalista Mário Marcos de Souza, de Zero Hora. Antes a FIFA que a ONUAliás, o futebol se presta, e muito, para amarrar identidades coletivas. “Isso acontece por ser um esporte coletivo, em contraposição ao tênis ou o boxe, que dependem da individualidade”, sustenta Gastaldo. Podemos formar a equipe do bairro para desafiar o arrabalde vizinho. Todos os que aqui moram irão torcer por nós. Em último caso, jogam casados contra solteiros. E, quando é preciso rivalizar com outros estados, os gaúchos se gabam da garra e da valentia com que adentram as quatro linhas, ao passo que os cariocas se vangloriam de sua habilidade com os pés, aperfeiçoada na areia da praia. Segundo Melo, da UFRJ, “ainda que sejam construções ideais, nem sempre verdadeiras, essas representações estruturam uma cultura que se forma em torno do futebol.”No campo das representações nacionais, então, nem se fala. O futebol é uma das metáforas prediletas. Basta citar que o primeiro-ministro espanhol José Luís Rodríguez Zapatero foi obrigado a recuar nas negociações para conceder maior autonomia administrativa à região da Catalunha, cuja capital é Barcelona, quando ouviu de seus interlocutores a proposta de uma seleção catalã para disputar a Copa do Mundo. O argumento era que Escócia, Irlanda e País de Gales têm acento na FIFA, embora formalmente façam parte da Grã-Bretanha. “Zapatero encerrou as conversações para não ser acusado de fragmentar a Espanha. Não por acaso, mais de uma vez, o Tibete tentou organizar uma seleção de futebol como forma de denunciar a dominação chinesa de seu território”, diz o professor da UFRJ.Para ele, o conceito de estado-nação se fragilizou muito perante o poder comercial das empresas transnacionais. “Um dos únicos fóruns em que se mantém é o do futebol, que ainda é cenário de enfrentamento simbólico entre nações.” Não é de admirar que, para muitos países, entrar na FIFA passou a ser mais importante do que ser admitido na ONU. Faz sentido. “Afinal, para uma nação sem poder político, ainda que perca o jogo por 10 a zero, disputar a Eliminatória da Copa garante maior visibilidade internacional do que sentar-se em uma cadeira lá no fundo e não ter voz nenhuma na Assembléia-Geral da ONU.”A FIFA congrega mais de 200 países, ao passo que a ONU conta com cerca de 190 Essa Copa, sim, é nossaÉ apenas um jogo de bola, mas a confirmação de realização da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, por si só, é capaz de transformar antigas demandas da população em realidade. No Rio Grande do Sul, as obras previstas implicam investimentos que ultrapassam a casa de R$ 2 bilhões. Nota: esse valor poderia ser bem maior, caso o projeto de implantação da Linha 2 do metrô não tivesse sido adiado por falta de tempo hábil. Só na capital gaúcha, os projetos incluem a qualificação dos corredores de ônibus e a ampliação do terminal de passageiros e da pista do Aeroporto Internacional Salgado Filho. “Tudo isso passa a ser viável por causa de meia dúzia de partidas que serão realizadas aqui. Esta é a força do futebol”, observa Cláudio Gutierrez. Por essas e outras, o futebol é um dos maiores negócios da economia globalizada. Anualmente, movimenta perto de 1,25% do PIB mundial. No país, gera 150 mil empregos por ano, conforme o Atlas do esporte no Brasil, organizado por Lamartine Pereira DaCosta. A FIFA fatura mais de US$ 300 milhões por ano em patrocínios. Pudera. As maiores audiências da televisão são alcançadas durante a Copa do Mundo, que ela promove. O público total do Mundial de 2002, por exemplo, foi estimado em 2,8 bilhões de telespectadores, sendo que 1,1 bilhão assistiram à partida final entre Brasil e Alemanha. Definitivamente, combinar futebol, mercado e identidades simbólicas costuma dar Ibope, como prova o comercial de cerveja protagonizado pelo técnico Dunga, na véspera da Copa da África. “É um discurso quase bélico, exaltando a pátria de chuteiras, quando ganhar ou perder uma partida de futebol nada muda na vida de cada brasileiro. Exceto, talvez, propiciar ou não o prazer, nada desprezível, de festejar a vitória”, conclui Melo.Guerra e pazDiz a lenda que Pelé interrompeu por 48 horas uma guerra civil em 1969, no antigo Congo Belga. Em excursão pela África, o Santos Futebol Clube havia acertado a realização de amistoso em Brazzaville, hoje capital da República do Congo. Antes de chegar lá, precisava passar por Kinshasa, atual capital da República Democrática do Congo. Os soldados de Kinshasa escoltaram Pelé e seus colegas até o rio que separa as duas regiões em litígio e, a seguir, transferiram a guarda para a guerrilha rival. No dia seguinte, após o jogo em Brazzaville, o rei do futebol fez o caminho de volta, sendo avisado de que só poderia ir embora se também jogasse em Kinshasa. Pelé jogou, desfilou em carro aberto e, assim que o avião do Santos decolou, a guerra recomeçou.Também já aconteceu o contrário. O futebol foi o estopim de uma guerra entre Honduras e El Salvador, nas eliminatórias da Copa do Mundo de 1970. Na capital salvadorenha, as torcidas entraram em conflito, levando os países a declararem uma guerra que durou apenas quatro dias, mas matou mais de 6 mil pessoas. Espíritos selvagensExistem várias teorias para decifrar a origem da palavra hooligan. Alguns afirmam que é referência a Patrick Hooligan, um ladrão fanfarrão que vivia em Londres no século 19. Outra teoria indica que o termo é baseado na palavra irlandesa houlie, que significa “espírito festivo”.No futebol, hooligan tem significado exato. Caracteriza as gangues que praticam violência dentro e fora dos estádios. Na final da Copa dos Campeões da Europa de 1985, entre Liverpool (Inglaterra) e Juventus (Itália), em Heysel, na Bélgica, os hooligans ingleses protagonizaram um espetáculo de barbárie. Na briga, morreram 39 torcedores, a maior parte do Juventus, e 454 ficaram feridos. Como punição, os clubes da Inglaterra foram banidos de competições européias por cinco anos.Em 1989, vítimas de outra mazela do futebol, a falta de organização, 96 torcedores do Liverpool morreram esmagados contra o alambrado do estádio de Hillsborough, em Sheffield. O jogo contra o Nottingham Forest pela semifinal da Copa da Inglaterra foi interrompido aos 6 minutos do primeiro tempo. A investigação concluiu que o despreparo da policia e a inadequação das instalações foram as causas da tragédia. O episódio serviu para a reformulação total do futebol inglês, que baniu a violência em seus estádios. Não há mais grades ou alambrados para separar o público do campo, os ingressos são numerados e ninguém assiste às partidas de pé.Hinos da arquibancadaA cumplicidade entre o futebol e as artes – a música, em particular – sempre existiu. Para quem não sabe, na década de 1920, Lamartine Babo compôs os hinos dos cinco grandes clubes do Rio de Janeiro, e também de equipes modestas como São Cristóvão, Bonsucesso, Madureira, Olaria e Bangu. Vitor Andrade de Melo, da UFRJ, acredita que o futebol poderia até ser formalmente enquadrado como arte, não tivesse constituído um campo à parte na área do entretenimento. “É uma arte de performance sem script pré-estabelecido. O desenrolar do enredo se dá à medida que o imponderável acontece.” De fato, as semelhanças entre jogos de futebol e concertos de rock, por exemplo, são gritantes. Literalmente. “O grito do público é que faz o time jogar. Sem os hinos da torcida, a equipe não se motiva e o adversário não sente a pressão”, explica Cassiano Dal'ago, aluno do 3º semestre do curso de Produtores e Músicos de Rock da Unisinos. Guitarrista da banda The modê, ele faz parte da torcida organizada Geral, do Grêmio, cujos principais cânticos serão lançados em CD. Com dois ou três microfones e um notebook no colo, Cassiano participa da captação do áudio no estádio Olímpico.“Estádio sem música não funciona”, concorda Bruno Alcalde, professor de Teoria e Percepção Musical do curso da Unisinos. Ele está compondo canções para o quarto CD do Ataque Colorado, formado por seus amigos da banda Maria do Relento. Desde 2005, o Ataque Colorado já emplacou sucessos nas arquibancadas como Camisa vermelha, versão adaptada do hit Pelados em Santos, dos Mamonas Assassinas, entoada pela torcida organizada Popular, do Internacional. Bocado de arte“Na cultura brasileira, se a gente quiser pegar dois fenômenos de plena compreensão mundial, um deles é a música popular. O outro é o futebol”, acentua o jornalista Ruy Carlos Ostermann. Mas não só os brasileiros vibram ou sofrem por causa do futebol. O alemão Dietmar Hopp, um dos fundadores da SAP – líder mundial na área de software –, investiu mais de €$ 140 milhões da fortuna pessoal para conduzir o 1899 Hoffenheim da 5ª divisão para a Bundesliga, a elite do futebol alemão, em apenas oito anos. Apesar disso, na Europa prevalece o elevado grau de profissionalismo. A questão é saber até que ponto isso faz com que o esporte perca sua espontaneidade. De acordo com o holandês Erwin Rezelman, presidente da SAP Labs Brazil, com sede no câmpus da Unisinos, embora haja uma grande paixão pelo futebol na Holanda, na Alemanha e em toda a Europa, aqui a comoção é maior. “No Brasil, se destaca muito a paixão pelo jogo e eu, efetivamente, aprecio assistir aos brasileiros jogarem. É um bocado de arte... Talvez como o time holandês costumasse ser...”, diverte-se Rezelman, referindo-se à Laranja Mecânica, como ficou conhecida a seleção da Holanda que encantou o público na Copa de 1974. Lágrimas fenomenaisNão faz muito, ao ser acusado de falta de comprometimento com seu time, o Corinthians, o ídolo Ronaldo Nazário, o Fenômeno, chegou às lágrimas: “Eu tenho 33 anos, oito cirurgias no corpo, muitas dores e ainda ouço esse tipo de pergunta”. Nada mais distante da realidade do que a ideia de que o atleta de alta performance é um exemplo de pessoa saudável. A tendência é a de que sua busca incessante por potência, força e velocidade possa causar lesões por impacto, queda e esforço repetitivo, sacrificando especialmente músculos, tendões, ligamentos e cápsulas articulares.Não à toa, cada vez mais, os clubes agregam tecnologia e equipes multiprofissionais para preservar seus atletas. Assim, o futebol contribui para a evolução da medicina e da fisioterapia. “A medicina esportiva ajuda no tratamento e na prevenção de doenças e lesões que possam resultar de atividade física inadequada de qualquer pessoa”, diz Antonio Alberto Fernandes, coordenador do curso de Fisioterapia da Unisinos. Tanto no esporte profissional quanto na pelada de fim de semana, os procedimentos de cirurgia e reabilitação são iguais. O que muda é o tempo de recuperação. Um tratamento que dura um mês e meio para a pessoa comum pode ser abreviado em uma semana, no caso do atleta profissional, em função da exigência de produtividade. O inverso também é verdadeiro. As ciências do esporte ajudam o futebol a ser mais evoluído. “No passado, os preparadores físicos costumavam ser ex-atletas, militares aposentados ou delegados de polícia, que faziam um estilo Rambo. Hoje, quase todos eles são professores formados em Educação Física”, diz Cláudio Gutierrez, coordenador do curso de bacharelado em Educação Física da Unisinos.A cadência da bola faz o planeta girar. Afinal, por que a gente gosta tanto de futebol?2010-06-23 12:22:40 uri:143Conversa de botequim2010-06-22 20:35:37slides = 1Reproduções de ilustrações e anúncios publicados nos jornais de Porto Alegre em 1932, feitas por Gustavo Diehl A música está em festa. Se vivo fosse, Noel Rosa completaria 100 anos em 2010. Ninguém duvida de que, com suas letras irreverentes e melodias sofisticadas, o compositor nascido em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, tenha praticamente inventado a moderna canção popular brasileira tal como hoje a conhecemos. O que pouca gente sabe é que, em 1932, cinco anos antes de sua morte, Noel cruzou o caminho de Lupicínio Rodrigues,outro gênio da lírica popular, em acanhado botequim do bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre.O encontro aconteceu durante excursão ao Sul do país dos Ases do Samba, conjunto musical do qual fazia parte, além de Noel, a dupla de cantores Francisco Alves e Mário Reis. Na biografia de Lupicínio, Roteiro de um boêmio (Editora Sulina, 1986), Demosthenes Gonzalez (parceiro de samba e de copo de Lupi) dá detalhes sobre aquela histórica noite de sexta-feira, 29 de abril de 1932, que começou no Cine Theatro Imperial, onde cantaram os Ases do Samba.Na primeira fila da plateia, estavam dois soldados do 7º Batalhão de Caçadores, “cujo quartel, bordado de balas, ficava na Praça do Portão (atual Praça Conde de Porto Alegre)”. Aos 17 anos – completaria 18 em setembro daquele ano –, Lupicínio era o soldado nº 417, alistado como “voluntário” por iniciativa do pai para retirá-lo da farra. Ao seu lado, estava o de nº 415, que se chamava Reinoldo de Oliveira, “um catarinense de muita inteligência e linda voz”. Natural de Joinville, o companheiro de caserna ficaria depois conhecido como Nuno Roland, um dos intérpretes da era de ouro da rádio Nacional, do Rio de Janeiro.O encontro não se deu no camarim, cujo acesso os rasos soldados não ousaram experimentar, e sim ao sabor do improviso. Segundo o relato de Gonzalez, depois do show e após “dengosas perambulações pelo Beco do Oitavo (atual avenida André da Rocha, na época tomada por “cortiços, focos de meretrício e cabarés de terceira categoria”, de acordo com o Guia Histórico de Porto Alegre, de Sérgio da Costa Franco)”, os Ases desembocaram na esquina da Rua da Margem (hoje João Alfredo) com Venâncio Aires.Embora o nome do bar situado alguns passos adiante não seja identificado (“seria o do Belarmino?”), o biógrafo supõe que ele estivesse localizado onde hoje se encontra o restaurante Copacabana, junto à praça Garibaldi. Seja como for, os sambistas de passeio pela cidade entraram no boteco “dando vivas e batendo palmas”. Lá dentro, quem comandava a cantoria era o Grupo Catão, liderado por Ney Orestes, que sempre acompanhava Lupicínio.Também estava presente no recinto o jovem policial militar Romeu Rodrigues da Cruz, mas esse preferiu “embrulhar sua mágoa no capote e fugir” para não cair na tentação de atravessar a madrugada na gandaia.Igualmente confraternizaram com Noel os que “de manso iam chegando”, como Johnsson, pseudônimo de Orlando da Silva, que era ao mesmo tempo cantor e boxeador. Outro que se fazia presente era Caco Velho,apelido de Mateus Nunes, intérprete, arranjador e instrumentista que mais tarde se mudaria para Paris, apresentando-se na boate La Macumba. Sem falar em Heitor de Barros, para quem Lupi escreveu a letra de Se acaso você chegasse, após roubar-lhe uma namorada. Estava lá também Alcides Gonçalves, o primeiro a gravar canções de Lupicínio, em 1934 (Triste História e Pergunte a Meus Tamancos, em disco de 78 rotações por minuto, da RCA Victor).Entre cervejas da marca Continental e caninhas com bitter e capilé (xarope de avenca), Noel teria proferido a sentença histórica “Esse garoto é bom, esse garoto vai longe”, referindo-se a Lupicínio. Já Francisco Alves teriaincentivado o rapaz a procurá-lo quando fosse ao Rio de Janeiro. Como a noite ainda era criança, decidiram fazer uma incursão conjunta aos cabarés Oriente e Royal, na avenida Voluntários da Pátria, no centro da cidade, para ver o transformista Haimond. “Naquele tempo, travesti se chamava transformista. E Haimond era dos mais brilhantes”, esclarece Gonzalez.Por conta da bebedeira, Lupicínio e Nuno Roland chegaram atrasados ao quartel na manhã seguinte. Recolhidos ao xadrez, não obstante a ressaca, “estavam densa e gloriosamente felizes”, de acordo com a biografia.“Acho que o Chico Alves ainda vai cantar minhas músicas”, teria profetizado Lupi, atrás das grades. A profecia demorou a se cumprir. Mas, no final da década de 1940, Alves gravaria Nervos de aço e Esses moços.Foi assimHá quem acredite que o encontro tenha sido inventado por fãs e amigos do compositor gaúcho em etílicas conversas de botequim. O jornalista Marcello Campos, da rádio Guaíba, de Porto Alegre, é um dos céticos: “Lupicínio frequentava os bares e cabarés da Cidade Baixa. Que Noel fosse até a zona de meretrício não é nada surpreendente, mas não há registros de comprovação na imprensa, até porque Lupi ainda não era conhecido fora das rodas de boemia da cidade”.Outro fator que reforça a desconfiança é a constatação de que o próprio Lupicínio não registrou o episódio quando escreveu para o jornal Última Hora, entre 1963 e 1964 (as crônicas foram reunidas pela L&PM Editora no livro Foi assim). Na extensa entrevista que concedeu ao jornal O Pasquim, em 1973, um ano antes de sua morte, o compositor tampouco se referiu ao tema. Advogado e proprietário do bar Se Acaso Você Chegasse, na capital gaúcha, Lupicínio Rodrigues Filho diz que seu pai não fazia questão de alardear a noitada com Noel por pura modéstia. “Em 1932, Noel era um dos ícones da música popular brasileira, e o pai não usava figuras maiores para se promover”, diz Lupinho. Se Lupicínio tinha mesmo pudor de falar no assunto, para não dar a impressão de estar se gabando, o mesmo não se pode dizer a respeito de seus amigos. Ao realizar pesquisa sobre Alcides Gonçalves e Johnsson, Marcello Campos constatou que a maior parte dos camaradas de Lupi ainda vivos jurava ter estado presente no boteco com Noel em 1932. “Se demorar mais um pouco, eu também estava lá, apesar de ter nascido dois anos depois”, diverte-se o cantor e violonista Darcy Alves, de 76 anos, que conheceu a turma toda.Seja como for, a veracidade do encontro de Noel e Lupicínio é confirmada por uma testemunha insuspeita: Mário Reis. “Tudo que escrevi sobre a viagem dos Ases do Samba ao Sul me foi contado, em várias conversas telefônicas, por Mário Reis. Alguns dados adicionais me foram passados pelo pesquisador musical Carlos Didier, meu parceiro na época, que recebeu informativa carta de Demosthenes Gonzalez, então presidente do Clube dos Compositores de Porto Alegre”, atesta o jornalista João Máximo, autor (junto com Didier) de Noel Rosa – Uma biografia (Editora Universidade de Brasília, 1990).De acordo com Máximo, a frase “Esse garoto é bom, esse garoto vai longe” foi atribuída a Noel por Gonzalez. “Mário Reis só me confirmou que Francisco Alves ficou realmente impressionado com Lupicínio, cujos sambas (não se lembrava quais) foram cantados para os Ases do Samba por Nuno Roland.”Palco e telaA formação original dos Ases do Samba tinha Francisco Alves e Mário Reis nos vocais, com Lamartine Babo inventando paródias e canções humorísticas. Pouco antes da viagem ao Sul, Noel recebeu convite para substituir Lamartine, que estava adoentado e, por isso, viajara às pressas para se tratar com águas alcalinas em São Lourenço, Minas Gerais.Na época, Noel devia um automóvel a Chico Alves e, talvez por essa razão, tenha aceitado o convite (quase uma ordem), supõe João Máximo. Além de cantor, Alves era também agenciador de veículos. Vendeu um Chandler preto a Noel, e as prestações teriam de ser pagas na forma de sambas inéditos, os quais não haviam sido entregues. É verdade que o carro não era lá grande coisa. Em noites de tempestade, os amigos costumavam entrar nele de guarda-chuva, tal a quantidade de furos no teto.Depois de chamar Noel, Chico Alves convocou o pianista Romualdo Peixoto, o Nonô, tio de Cauby Peixoto, cantor que faria muito sucesso na década de 1950. E completou o time com o bandolinista gaúcho radicado no Rio de Janeiro, Pery Cunha, tio de Jessé Silva, músico e compositor que se destacaria na cena musical de Porto Alegre nas décadas seguintes.A estreia na capital gaúcha estava prevista para 8 de abril, no Cine Theatro Imperial, o mais luxuoso da cidade, inaugurado em 1931, com 1.632 lugares, junto à Praça Senador Florêncio (hoje Praça da Alfândega). Por conta da demorada escolha dos novos componentes, o grupo só deixou o Rio de Janeiro em 21 de abril a bordo do barco Itaquera, da Companhia Costeira. Para dar uma satisfação ao público, os administradores do Imperial publicaram anúncios nos jornais locais com o aviso: “Eles custam... mas vêm”.Os Ases do Samba desembarcaram em Porto Alegre apenas no dia 29 de abril, poucas horas antes de o Imperial abrir suas cortinas para recebê-los. Na época, os espetáculos eram de palco e tela, ou seja, antes passava um filme, depois vinha o show. Uma das fitas que os antecedeu foi Marianne, com Marion Davies, atriz cômica que ficou conhecida como mulher do magnata norte-americano William Randolph Hearst.Com que roupa?Noel Rosa era um compositor bastante popular no Rio de Janeiro em 1932. No ano anterior, sua canção Com que roupa? havia sido a mais executada no carnaval carioca. Em nível nacional, porém, não tinha a projeção de Chico Alves e Mário Reis. Nas peças publicitárias que anunciavam a chegada a Porto Alegre do “melhor conjunto nacional”, ele é equivocadamente denominado Noel Rozas, o que sugere a pouca familiaridade que seu nome evocava.Alto, magro, sempre com os cabelos bem penteados, Francisco Alves era a figura de maior prestígio entre os Ases. Tanto que ganhou fama de Rei da Voz. “Era o legítimo representante da estética vigente na época, marcada pelo canto de voz potente e empostada”, assinala o músico Cristiano Hanssen. Na condição de líder do grupo, Alves impunha regras, como uso obrigatório de smoking no palco. Cumprir horários também constituía questão de honra. Já na estreia, Noel descumpriu as duas ordens. Atrasado, apareceu com um encardido e amarrotado terno branco. Frente à irritação do chefe, ponderou: “Eu não tinha smoking, mas, quando o Pery me falou que aqui no Sul era tudo no chique, aluguei esse casaco dum garçom lá da Lapa...”Apesar dos contratempos, a primeira apresentação no Imperial foi um grande sucesso. “Um instante de linda e doce comunhão de espíritos... A alma imensa e pura do Brasil brotando de uma escala. Os Ases do Samba hão de fazer mais pelo Brasil que muito político abelhudo”, previu a resenha do dia seguinte no Correio do Povo.A temporada no Imperial se estendeu até 5 de maio. Os Ases realizaram nova série de shows na capital gaúcha, até dia 8, no Cine Theatro Carlos Gomes. Depois, partiram para o interior do Estado, passando por São Leopoldo, Caxias do Sul, Cachoeira do Sul, Pelotas e Rio Grande. “Fugindo dos ensaios, sempre atrás de mulher e cerveja, Noel e Nonô deram uma trabalheira a Francisco Alves”, relata Máximo. Em São Leopoldo, por exemplo, escafederam-se uma hora antes do início do espetáculo, sendo localizados por Mário Reis em um cabaré junto a uma garrafa vazia de anisete (licor a base de anis).Os Ases retornaram do interior para um show de despedida no Imperial, denominado Noite Brasileira, em 25 de maio. A seguir, rumaram para Florianópolis e Curitiba. Encerraram a excursão em 13 de junho, com apresentação única no Palácio Teatro, na capital paranaense.A moça na janelaEm 1932, Porto Alegre era uma cidade “orgulhosa e faceira” com suas recentes conquistas, como a construção do cais do porto, “bordejado pela avenida Mauá e ligado à estação ferroviária pela avenida Júlio de Castilhos”, conforme Sérgio da Costa Franco (A velha Porto Alegre, Editora Canadá, 2008). “Os prefeitos Otávio Rocha e Alberto Bins haviam livrado a cidade de alguns de seus piores becos, pouco transitáveis”, acrescenta Franco. Para culminar, duplicara a produção de energia elétrica, ao passo que a Hidráulica dos Moinhos de Vento recebera modernos filtros para tratamento da água. Com uma população de cerca de 200 mil habitantes, a cidade contava com 16 cine-teatros.Na capital gaúcha, Noel se apaixonou por uma jovem que o inspirou a compor o samba Até amanhã. “Este foi realmente feito em Porto Alegre, na véspera do embarque para Florianópolis. A moça seria uma morena moradora de casa em frente a uma pensão da Rua Nova (como era conhecida a Andrade Neves, no Centro da cidade). O nome, ao certo, perdeu-se no meio das incontáveis histórias que a feitura do samba inspirou”, revela João Máximo. A história é relatada na biografia de Noel:“Na véspera de tomar o navio, Noel conversa com a morena, ele da sua pensão, ela na janela da casa em frente. Chove muito. Noel gostaria que estivessem juntos em vez de separados pelo aguaceiro que desaba sobre a rua estreita. Alguém a chama lá dentro. A morena entra apressada, com tempo apenas para dizer:- Até amanhã...Não haverá amanhã. Noel viaja sem voltar a vê-la. No navio que o leva de Porto Alegre a Florianópolis, completa o samba que começou a escrever no quarto de pensão.” Além de Até amanhã, Noel também compôs no Sul Quando o samba acabou. E há uma terceira canção feita durante a excursão: “O próprio Mário Reis me contou que foi a bordo do Itaquera, pouco depois de deixarem o Rio, com destino a Porto Alegre, que ele surpreendeu Noel no convés cantando novo samba ao violão. Era Mulato bamba, o primeiro em que um homossexual é tratado com simpatia pela música popular, sempre tão impiedosa em suas sátiras e anedotas carnavalescas. É uma das obrasprimas de Noel”, conclui Máximo.Feitiço da VilaEm 11 de dezembro de 1910, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, Noel de Medeiros Rosa veio ao mundo em um parto difícil, a tal ponto que os médicos usaram fórceps para salvar mãe e filho. O procedimento resultou em uma fratura do maxilar do recém-nascido, lesão que o deixou com o queixo afundado para o resto da vida.Em carreira fértil e vertiginosa, Noel compôs cerca de 250 músicas, entre elas, sambas como Feitiço da vila, Palpite infeliz, Conversa de botequim, Com que roupa? e Pra que mentir, além de marchas carnavalescas a exemplo de Pierrô apaixonado, Pastorinhas e O orvalho vem caindo. “Noel foi o primeiro a provar que, com talento, qualquer tema cabe em música popular. Daí seu formidável dom de cronista. Outra importância que não lhe pode ser negada é que ele foi o primeiro branco, de classe média, com passagem pela universidade (estudou Medicina, ainda que por pouco tempo) a emparceirar-se com sambistas negros, como Ismael Silvae Cartola, entre 1930 e 1934, quando ninguém mais fazia isso”, afirma João Máximo.Como cronista, Noel foi um crítico mordaz das contradições da sociedade industrial que emergia em sua época, conforme Antonio Pedro Tota, professor de História Contemporânea da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O contraponto entre riqueza e pobreza, por exemplo, é um tema constante em sua obra. “Além de tudo isso, que já não é pouco, a voz pequena de Noel, a exemplo do pequeno porte vocal do parceiro de boemia Mário Reis, antecipou em pelo menos três décadas o cantar macio e sincopado de João Gilberto, que abriria as portas da Bossa Nova”, sugere Jimi Joe, coordenador de programação e conteúdo da rádio Unisinos FM.Noel morreu em 4 de maio de 1937, aos 27 anos, vítima da tuberculose, no mesmo chalé onde havia nascido. Naquela noite, ouvia-se a algazarra dos sambas do compositor cantados na comemoração do aniversário de uma vizinha. E Aracy de Almeida tinha acabado de gravar Eu sei sofrer, uma das últimas canções do poeta de Vila Isabel.Justa HomenagemEm comemoração aos 100 anos de Noel, suas composições serão incluídas na programação do projeto Vida com Arte, iniciativa da Unisinos que proporciona o aprendizado da música a 180 crianças e jovens em situaçãode risco social em São Leopoldo e Porto Alegre. “Os alunos terão oportunidade de entrar em contato com um dos gênios da música popular brasileira”, afirma Evandro Matté, coordenador artístico e cultural da Unisinos.A histórica noite em que Lupicínio Rodrigues cruzou o caminho de Noel Rosa, cujo centenário de nascimento se comemora em 20102010-06-22 20:35:37 uri:148A vez dos empreendedores / 12010-06-22 21:32:48Susana Kakuta Diretora do Complexo Tecnológico Unisinos Unitec 1) Por que a palavra empreendedorismo virou moda? 2) É possível aprender a ser empreendedor?3) É verdade que o brasileiro é naturalmente empreendedor? Por quê?1) Conforme o economista austríaco Joseph A. Schumpeter, no livro Capitalismo, socialismo e democracia, de 1942, toda vez que se cria algo novo em termos de produto, processo e mercado, isso depende de um agente básico de transformação: o empreendedor. Países com maior taxa de desenvolvimento econômico são espaços importantes para o florescimento do empreendedorismo. No caso do Brasil, a previsão de crescimento da economia, acima da média mundial, é de algo em torno de 6% em 2010. Com isso, estaremos gerando uma onda econômica capaz de proporcionar a manutenção de uma inflexão importante: termos mais empreendedores por oportunidade de mercado do que por necessidade de gerar renda.O Brasil é um dos países líderes em empreendedorismo no mundo. De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor de 2008, a Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial (TE A) do Brasil, que mede o percentual de pessoas que iniciaram um empreendimento nos últimos três anos e meio, manteve-se em torno de 12%, índice semelhante ao dos Estados Unidos. De 2001 a 2008, a TE A média brasileira foi 75% mais alta do que a média de todos os países participantes do estudo. Entre os 15 membros do G-20 – grupo das 20 maiores economias do mundo – presentes no levantamento, o Brasil ocupou a terceira posição em empreendedorismo. A pesquisa revelou também que, pela primeira vez em nove anos (desde que foi criado o estudo no Brasil), inverteu-se a proporção entre as pessoas que empreendem por necessidade e oportunidade. Para cada brasileiro que empreende por necessidade, há dois que o fazem por oportunidade.2) Na minha percepção, é o ambiente que cria competências empreendedoras. Um exemplo é o filho com características assemelhadas aos pais em empreendedorismo: isso se deve menos a aspectos congênitos e mais ao grau de exposição ao mundo dos negócios a que possivelmente ele foi submetido. É possível induzir características empreendedoras, não só na maturidade, mas especialmente na infância e na juventude, associando criatividade e atividades desafiadoras à educação formal e informal.No Parque Tecnológico Tecnosinos, nossa incubadora abriga atualmente 38 empresas, formadas em sua maioria por jovens estudantes ou por recém-formados, que se dedicam a contribuir para o crescimento do Brasil, gerando produtos de alta tecnologia, emprego e renda para a região. Nosso plano estratégico é termos 300 empresas startups de base tecnológica em 2019: uma bela oportunidade para potenciais novos empreendedores.3) Por muitos anos, os desafios da geração de renda foram importante motivador do surgimento de empresas formais e em grande número informais no Brasil. Por outro lado, esses desafios modelaram um “brasileiro” que não tem medo de empreender (somos, de certa maneira, habituados com o risco), fazendo emergir novas economias, reconvertendo antigos setores e colocando o país na rota dinâmica do comércio internacional.Nos próximos dez anos, o Brasil será sede de importantes eventos esportivos de classe mundial: Jogos Militares de 2011; Copa das Confederações em 2013; Copa do Mundo de 2014; Jogos Olímpicos de 2016 e Jogos Paraolímpicos de 2016. Esses eventos trarão oportunidades de novos negócios ou de reposicionamento de já existentes. Nesse movimento de crescimento, cabe destacar o papel que pode ser ocupado por micro e pequenas empresas, cuja flexibilidade e customização são elementos-chave de sucesso.“O brasileiro não tem medo de empreender. Somos, de certa maneira, habituados com o risco”2010-06-22 21:32:48 uri:154Entre tapas e queijos2010-06-23 13:20:44slides = 2 Ao contrário do que muita gente pensa, a culinária francesa não nasceu nos bistrôs com mesinhas nas ruas e cardápios expostos na lousa. A história da gastronomia é longa e cheia de personagens célebres, começando com os molhos de Antonin Carême (no século 19) e desembocando, quase 200 anos depois, na diáspora de chefs franceses pelo mundo, tornando global o movimento da Nouvelle Cuisine (e o Brasil foi presenteado com Claude Troigros). Há poucos anos, surgiu a Gastronomia Molecular: é a primeira vez na história que a ciência trabalha a serviço do prazer de comer. Os seminários do físico-químico Hervé This foram para a gastronomia o que as explanações de Lacan representaram para a psicanálise. Essas aulas influenciaram o maior ícone da culinária moderna, o chef Ferran Adrià e seu restaurante Il Bulli. Porém, as invencionices gastronômicas pós-modernas parecem estar mostrando seus primeiros sinais de cansaço e, com isso, releituras da cozinha da vovó são presenças constantes nos cardápios de chefs famosos. Isso pode ser percebido tanto na pâtisserie francesa como nas tapas espanholas.A reinvenção da pâtisserieFoi nessas aulas ministradas por Hervé This que o pâtissier Pierre Hermé aprendeu a criar as consistências dos seus doces. Considerado popularmente como o melhor macaron de Paris, na pâtisserie do chef é possível encontrar sabores como wasabi com morango, caramelo com flor de sal, azeite de oliva com baunilha e pêssego com açafrão. Lá, o tradicional croissant tem recheio de geléia de rosa e a flor confitada por cima. Mas talvez seu doce mais extravagante seja o Fragola (que significa morango em italiano), feito de macarrão, calda de morango com geléia de vinagre balsâmico e creme de mascarpone, imitando um tradicional prato da mamma italiana. Essa releitura de uma refeição que está na nossa memória afetiva é o grande mote da culinária do nosso tempo: a comfort food. Recentemente, o chef Philippe Conticini inaugurou uma pâtisserie onde são produzidas todas as receitas clássicas de bolos e doces da infância dos franceses com um toque moderno. La Pâtisserie dês Rêves expõe seus doces como se fossem joias raras (e são).  Por outro lado, a tradição parece ser mais forte na hora de escolher a melhor mil folhas de Paris. O doce de Jacques Genin, o chocolatier mais badalado do momento, foi eleito em 2009 pelo Le Fígaro o melhor da cidade. Eleição difícil já que, no mesmo ano, Pierre Hermé concorreu com um doce chamado duas mil folhas. Então qual seria o segredo do doce mais saboroso da capital francesa? O folhado vencedor é incrivelmente leve, cheio de favas de baunilha e montado na hora para a massa não perder sua crocância.  O aspecto “comfort” aparece no fato de o doce ser servido pelo próprio Genin, um ótimo hábito em sua pâtisserie, e de vir fresco com jeito de bolo que acabou de sair do forno.Sabor de MemóriaAs tradicionais tapas espanholas são tão antigas que existem várias histórias sobre sua origem. O que se sabe, no entanto, é que elas datam da Idade Média e surgiram a partir da necessidade de se tapar (tampar, em português) o vinho nas tabernas. As pessoas acabaram por comer o queijo ou o pão que ficava no gargalo das garrafas. Hoje, esse prato é tão comum que é quase impossível andar pelas ruas de Madri ou Barcelona sem ver uma vitrine cheia desses acepipes.Nos restaurantes mais chiques, é possível encontrar as chamadas “tapas de autor”: releituras do prato assinadas por chefs famosos. Ferran Adrià foi precursor dessas inovações. Sua tortilla feita com espuma surpreende paladares desde a década de 1980. Não é à toa que seu nome é citado em diversos currículos de chefs espanhóis como professor ou fonte de inspiração. A nutricionista Isabel Kasper Machado, professora do curso de Gastronomia da Unisinos, acredita que essa gastronomia “tecnoemocional” pode ser um detalhe nos pratos, mas não determinante. “No evento Madrid Fusion, vi chefs usando espumas, caviares, fumaças, como detalhes de seus pratos e não como a preparação em si (como faz Ferran Adriá). Eles sabem que o cliente não vai voltar ao restaurante para provar novamente um prato feito de fumaças, mas com certeza poderá voltar para comer um filé de peixe grelhado que tenha como detalhe uma espuma de limão. A questão de nossa memória gustativa é muito forte. O homem, com certeza, busca seus costumes, suas raízes, mas aprecia também as mudanças de seu tempo”, analisa Isabel.Bons exemplos disso são os restaurantes En Estado Puro de Madri e Tapaç24, em Barcelona. O primeiro tem um ambiente com design arrojado: pentes gigantes de dançarinas de flamenco estão por todos os lados da parede. No cardápio, mais de 30 variedades de tapas com nova roupagem e a “sugestão do chef” nada mais é do que uma versão da espuma de tortilla de Adrià. O chef do restaurante, Paco Roncero, discípulo do papa da gastronomia molecular, é especialista em azeite de oliva. Todo o cardápio é feito com base nas históricas tapas que fazem parte da vida de qualquer espanhol, mas sempre com ingredientes ou texturas inovadoras. Já o Tapaç24 do chef Carles Abellan, que trabalhou no Il Bulli por sete anos, faz parte de Projectes24. Esse projeto tem como objetivo desmistificar a alta gastronomia servindo pratos modernos com “sabor de memória” (como é dito no site do empreendimento) nos três restaurantes de Abellan. Se comparado a qualquer outro restaurante citado nesta matéria, o Tapaç24 mais parece um boteco. Porém, um olhar afiado permite enxergar o requinte do seu despojamento. Tapas superpopulares como batatas bravas ou sanduíche de jamón ibérico, são acompanhadas de caviar ou trufa. E os ingredientes usados são tão caseiros que se pode ver do balcão a cesta de ovos ou a penca de tomates pendurada na prateleira de vinhos.Os dois restaurantes espanhóis bem como as novidades da pâtisserie francesa nos mostram o movimento da gastronomia atual. Netos da Nouvelle Cuisine e filhos da culinária molecular, agora é hora de saborearmos de novo tudo aquilo que outras gerações já apreciaram. Como escreveu o chef Alex Atala no livro Com unhas, dentes e cuca: “Esse elemento não racional afetivo é o limite da criatividade gastronômica”. Enfim, a palavra de ordem agora não é tanto surpreender, e sim emocionar.Como espanhóis e franceses estão modernizando suas gastronomias2010-06-23 13:20:44 uri:149A terapia da célula2010-06-22 21:51:13slides = 1Patricia Pranke fez parte da relação de 22 cientistas convocados pelo STF para debater a Lei de Biossegurança As pesquisas com células-tronco representam atualmente uma das maiores esperanças da medicina para a cura de doenças graves, ao mesmo tempo em que despertam polêmica junto a governos e instituiçõesreligiosas. Quando elas foram questionadas por uma Ação Direta de Inconstitucionalidade impetrada pela Procuradoria-Geral da República, Patricia Pranke fez parte da relação de 22 cientistas convocados pelo Supremo Tribunal Federal para debater a Lei de Biossegurança. Após ouvir os especialistas, o STF decidiu liberar os estudos, em maio de 2008.Fundadora do Instituto de Pesquisas com Células-tronco do Rio Grande do Sul, Patricia é professora da disciplina de Hematologia e do Laboratório de Hematologia e Células-Tronco da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Com doutorado na mesma universidade e no New York Blood Center, nos Estados Unidos, e pós-doutorado na Philipps-Universität Marburg, na Alemanha, a pesquisadora desenvolve estudos com células-tronco provenientes de diversas fontes, tais como cordão umbilical e dentes de leite. No início do semestre letivo, ela foi convidada pla Unisinos para ministrar uma palestra sobre o tema para aula inaugural do curso de Farmácia (acesse o site do J.U. e confira).Magis – Quais foram as principais descobertas da ciência em relação às células-tronco nas últimas décadas?Patricia Pranke – As células-tronco adultas são usadas em clínica há mais de 40 anos. Até a década de 1990, porém, seu uso ficava restrito às doenças hematológicas, tais como leucemia, linfoma e aplasia de medula. Outra questão é que se acreditava que só a medula óssea era grande reservatório de células-tronco adultas em nosso organismo. De lá para cá, ocorreram duas quebras de paradigma, por assim dizer. Primeiro, ficou claro que as células-tronco adultas não são importantes apenas para as doenças hematológicas, uma vez que elas têm capacidade de ajudar a curar várias outras enfermidades. E verificou-se também que, além da medula óssea, outras partes de nosso organismo, como os dentes de leite, cordão umbilical e produto de lipoaspirado, constituem fontes de células-tronco adultas. Além disso, os embriões humanos igualmente são fontes de célulastronco, as chamadas células-tronco embrionárias.Magis – Por que as células-tronco embrionárias são consideradas mais eficazes do que as adultas?Patricia – Porque se descobriu que as embrionárias são capazes de regenerar todo e qualquer tecido do nosso corpo. Se elas forem extraídas de um embrião de até cinco dias, poderão multiplicarse e formar qualquer linhagem celular. Com essa descoberta, verificou-se que seria possível trabalhar com essas células in vitro, em laboratório, e tentar diferenciar qualquer tipo de tecido a partir dela. E essa é a potencialidade maior dessas células embrionárias, que denominamos capacidade de plasticidade, ou seja, capacidade de diferenciar-se em qualquer tecido do organismo humano. No entanto, outros estudos têm mostrado que algumas células-tronco adultas talvez também mostrem essa capacidade, embora não com tanta potência. Por essa razão, as células embrionárias seriam ainda a mãe das mães. Magis – Quais as vantagens da utilização das células-tronco, em comparação com qualquer outro tratamento?Patricia – Em alguns casos, como em uma lesão de tecido, por exemplo, a célula-tronco pode regenerar esse tecido, sem que haja necessidade de transplante do órgão e sem deixar sequela naquele local. Às vezes, você tem uma lesão em um órgão e não consegue regenerá-lo. Então, essas células têm se mostrado capazes de agir onde outros tratamentos não conseguem. É a terapia celular funcionando como medicamento.Magis – Isso quer dizer que, em breve, não haverá mais necessidade de se fazer transplantes?Patricia – Hoje não dá para dizer que as células-tronco estão substituindo os transplantes, mas digamos que, em futuro próximo, esperamos que possa acontecer. Na realidade, vai depender de cada caso. Um paciente que precisou remover um pedaço de tecido por causa de um tumor, por exemplo, pode receber células-tronco depois desse procedimento para tentar regenerar aquele tecido. Em alguns casos de doença cardíaca, já aconteceu de o paciente ter reagido bem à terapia celular, a partir da célula-tronco, e não precisar fazer o transplante. Talvez diminua o número de transplantes, mas ainda é cedo para saber.Magis – Quais são os problemas que as células-troncoembrionárias podem causar?Patricia – A célula-tronco do embrião tem potencial de gerar qualquer tipo de célula, justamente porque ela tem capacidade de gerar um ser humano se implantada no útero materno. Por essa razão, pode acabar gerando células que a gente não quer. Quando, lá no início das pesquisas, os cientistas pegaram as células-tronco embrionárias e as injetaram, por exemplo, no coração de um camundongo, muitas delas geraram o tecido que se esperava, mas, muitas vezes, as células também geravam um teratoma, que é um tumor benigno. Ninguém pode criar um tumor benigno no coração. Hoje, retira-se aquela célula embrionária, diferenciando-a in vitro e depois se dá o rumo. Você tem que domar, domesticar essa célula. No momento em que você a retira e a coloca em uma cultura celular, dando a ela um fator adequado, então essa célula,depois de diferenciada, poderá ser transportada para um organismo vivo. Nesse caso, o risco de gerar um teratoma serápraticamente o mesmo de uma célula madura.Magis – As células-tronco teriam a capacidade de curar qualquer doença?Patricia – Estamos falando em ciência e não em milagres. Essa história de que qualquer doença vai ser curada com célulastronco não é real. Nós sabemos hoje que elas podem ajudar no caso de enfermidades que geram uma lesão no tecido, como Mal de Parkinson, por exemplo. Ou ainda no caso de pessoas que sofreram uma lesão que leva à paraplegia (perda total ou parcial do movimento das pernas), que nada mais é do que a morte de algumas células, porque ocorreu uma lesão no tecido. Nesse caso, quem sabe, a célula colocada imediatamente após a lesão possa tentar regenerar o tecido lesado.Magis – Existe um período de tempo determinado para que a célula-tronco seja aplicada no organismo?Patricia – Nós observamos, nos estudos e na prática, que há uma janela para a célula ser implantada. Na lesão medular, por exemplo, existe um fenômeno chamado cicatriz glial. É igual a um ferimento na pele: você se fere, o ferimento está aberto e, depois de alguns dias, aquilo fecha. Cicatrizou, não entra mais nada, nem remédio. A mesma coisa acontece na medula espinhal. Um paciente que sofreu uma lesão há muitos anos, o chamado paciente crônico, já formou uma cicatriz. Para a célula penetrar é muito difícil. No caso de uma pessoa que é tetraplégica ou paraplégica há muito tempo, dificilmente as células-tronco vão ajudar da maneira como elas são usadas hoje. Essas células poderão ajudar pacientes com paraplegia ou tetraplegia aguda. Nesse caso, a célula-tronco será implantada logo após a lesão, antes de a cicatriz ser formada. Se obtivermos bons resultados com a lesão aguda, isso nos mostrará um caminho de como trabalharmos para tentar tratar uma lesão de um paciente crônico.Magis – O estudo e o uso das células-tronco ainda geram muita polêmica. Por que o procedimento é tão criticado por alguns governos e instituições religiosas, se ele pode trazer tantos benefícios à saúde?Patricia – É importante frisar que é a célula-tronco embrionária e não a adulta que causa polêmica. Ninguém questiona o uso de célula-tronco adulta, que é a da medula óssea ou a do cordão umbilical. A polêmica é exatamente em função de ela ser embrionária, ou seja, você precisa destruir o embrião para poder retirar a célula. Quem acredita que a vida começa na fecundação do óvulo com o espermatozoide vê isso como uma vida que está sendo destruída. É preciso lembrar, contudo, que esse embrião jamais entrou em contato com o útero materno e, sem o útero, ele não se desenvolverá. Quem trabalha com a célula-tronco embrionária está lidando com embriões que foram criados em laboratório com o objetivo da fertilização in vitro. São embriões que não iam ser mais usados para reprodução. Então, quem acredita que o embrião já tem vida a partir da fecundação deve ser contra também a fecundação in vitro. Nós queremos usar células de um embrião que foi produzido por fertilização in vitro, e que não foi utilizado para implantação no útero. Ou seja, o embrião já está lá, congelado, e vai ser jogado fora. Em vez disso, nós queremos utilizá-lo para os estudos.Magis – A senhora participou do debate da comunidade científica no STF a respeito da Lei de Biossegurança. Quais são os principais pontos da legislação que foi aprovada?Patricia – Na realidade, a Lei de Biossegurança juntou dois assuntos polêmicos: os transgênicos e a célula-tronco embrionária. Eu participei efetivamente da elaboração da lei no que se refere ao uso de células-tronco embrionárias. Conseguimos aprovar a pesquisa de célula-tronco em 2005, obviamente, dentro de limites éticos, como a exigência do uso de embriões não aproveitados para reprodução e que, caso não fossem utilizados para pesquisa, seriam descartados. Esses embriões têm que ser doados sempre pelos seus progenitores, mediante consentimento. E precisam ter mais de três anos de congelamento. Esse período não tem nada a ver com a validade do embrião, e sim com o tempo dado aos pais para que eles tenham certeza de que não querem mais usá-lo para reprodução.Magis – Recentemente o Hospital Veterinário Sena Madureira, de São Paulo, começou a fazer testes com células-tronco em animais. Essas células são adultas ou embrionárias?Patricia – Na verdade, temos diversos hospitais e laboratórios fazendo pesquisas com células em animais, que tanto podem ser adultas quanto embrionárias. Mas, em seres humanos, ninguém pode testar células-tronco embrionárias ainda. Só existe um local sério no mundo que está usando células-tronco embrionárias em pacientes. É uma empresa privada nos Estados Unidos, que começou a desenvolver uma linhagem de células para tentar tratar uma lesão de célula espinhal. Logo depois de assumir a presidência, Barack Obama autorizou as pesquisas com células-tronco embrionárias. Com isso, esse laboratório teve aprovação do Food and Drug Administration (FDA) para fazer estudos em escala-piloto em seres humanos. Nós ouvimos falar que a China anda oferecendo o tratamento com células-tronco embrionárias para seres humanos, mas isso está errado. Não deve ser célula-tronco embrionária, melhor dizendo, tomara que não seja, porque é muito cedo para começar a aplicar a célula-tronco embrionária em pacientes.Na China, a maioria dos hospitais ou laboratórios usa células provenientes de fetos abortados. Como lá o aborto é permitido, eles juntam células de vários fetos e as utilizam. Não existe nenhum trabalho científico publicado dando segurança ou credibilidade em relação a esse procedimento. É importante lembrarmos isso para evitar que o paciente vá para a China, gaste uma fortuna e volte com a mesma doença. As pesquisas com células-tronco embrionárias ainda estão em fase de teste. Outra questão fundamental é lembrar que o que está consagrado, em relação ao tratamento com células-tronco, é o tratamento de doenças hematológicas, em que o transplante de medula óssea já vem mostrando benefícios. O resto é ainda pesquisa clínica, ou seja, está em fase de experimentação e não há garantia de sucesso. Assim, é consenso mundial que pesquisa clínica não deve ser cobrada.Magis – No Brasil, qual é o procedimento exigido para quem deseja fazer pesquisa clínica nessa área?Patricia – É necessário pedir autorização para o Ministério da Saúde. Então, um grupo que acha que já está preparado para isso, já provou que as células-tronco funcionam em um ratinho e com total segurança, por exemplo, pode pedir autorização do governo para pesquisar em pacientes. Se houver a aprovação, só assim está autorizado a fazer a pesquisa clínica, sem que haja cobrança do paciente. Geralmente, não é o laboratório isolado que trabalha com essas pesquisas, são universidades, hospitais ou grandescentros de pesquisa.Magis – Em sua opinião, tratamentos com célulastronco embrionárias poderão ser usados em procedimentos médicos na próxima década?Patricia – Acho que sim. Só que eu não sei se as células-tronco embrionárias, de fato, serão usadas em tratamento. Eu nem sei se será preciso isso. Mas não tenho a menor dúvida de que vamos continuar os estudos com elas, nem que seja para que elas nos ensinem como trabalhar melhor com as células-tronco adultas. Porque as embrionárias têm muito a nos ensinar. Uma celulazinha que pode gerar qualquer célula do nosso organismo, com certeza, pode nos ensinar muito.“A célula-tronco embrionária é capaz de regenerar todo e qualquer tecido humano, por isso é chamada de a mãe das mães”2010-06-22 21:51:13 uri:150Encanto em frascos2010-06-22 21:55:49Daiane de Souza: preparada para novos desafios Aos 28 anos, ela já tem uma trajetória profissional invejável. Passou por empresas como Vonpar, Sonae, Sulbra e Eichenberg. Hoje, alçando voos ainda mais altos, Daiane da Silva de Souza, aluna da 6ª turma do MBA em Negócios Internacionais da Unisinos, ocupa o posto de analista de transporte da Natura, empresa presente em sete países da América Latina e na França. No Brasil, a indústria é líder no mercado de cosméticos, fragrâncias e higiene pessoal, assim como no setor da venda direta.Natural de Porto Alegre e atualmente morando em Cachoeirinha, Daiane disputou a vaga com mais de 70 candidatos, sendo selecionada para supervisionar toda a região Sul. Quando iniciou o processo de seleção, não sabia que era para a Natura. Depois, quando foi divulgada a empresa, ficou muito feliz. “A organização é uma das melhores para se trabalhar no Brasil. Como todos afirmam, ela não vende cosméticos, vende o bem-estar para seu consumidor. A Natura encanta”, elogia.Sobre a rotina, que envolve viagens e muita dedicação, Daiane destaca que sua tarefa é garantir que todas as consultoras do Sul recebam os produtos dentro do prazo fixado e em perfeitas condições. “As principais atividades estão em acompanhar o planejamento de transporte e intervir nele. Busco sinergia com a operação da transportadora, garantindo o cumprimento dos objetivos de nível de serviço, além de identificar oportunidades de melhoria e promover ações de desenvolvimento logístico.”Determinação é uma de suas grandes virtudes. Formada em Administração de Empresas, com ênfase em Comércio Exterior, em 2006, ela acredita que conseguiu a vaga graças à sua experiência anterior e também por estar sempre buscando atualizar-se – estudou inglês em Londres, por exemplo. “O currículo é apenas a porta de entrada. É importante provar que a pessoa está preparada para o novo desafio, transmitir confiança e transparência”, avalia ela, que passou por cinco etapas no processo, entre testes e entrevistas.Daiane ressalta a importância de aliar a teoria de sala de aula com a prática adquirida dentro das empresas. “Durante o MBA, agucei minha capacidade de analisar e avaliar as mais diversas situações mercadológicas, além de propor soluções viáveis para o êxito das operações.” A história dela não para por aí. Depois do MBA, quer mais. “Pretendo me aprimorar. O mercado de trabalho exige e precisa de profissionais cada vez mais capacitados para desempenhar da melhor forma sua função. Nesse sentido, vou terminar meu curso e, em seguida, verificar outra especialização que possa complementar meu trabalho.”Produtos da Natura chegam às mãos de consultoras da região Sul do país graças ao zelo de aluna do MBA da Unisinos2010-06-22 21:55:49 uri:145A impressão que fica2010-06-22 20:59:56slides = 1Sob a orientação de Thaís Furtado, acadêmicos produzem 25 matérias e mais de 130 fotos por edição Tempo, encontros e despedidas, bastidores da vida, medo, cinema e realidade, preocupações, limites. Os temas são aleatórios. No total, já foram 33. A impressão é de cada um. Melhor: é do repórter. E é privilégio de poucos sair de um curso de graduação em Jornalismo com um portfólio que traz matéria e fotos publicadas em uma das revistas universitárias mais premiadas do país.Produzida pelos alunos das disciplinas de Redação Experimental em Revista e Projeto Experimental em Fotografia, do curso de Jornalismo, em parceria com a Agência Experimental em Comunicação da Unisinos (responsável pela produção da parte gráfica), a revista Primeira Impressão foi premiada nove vezes no Set Universitário – concurso promovido pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Recebeu ainda oito premiações na Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom) e outras duas no Prêmio de Direitos Humanos de Jornalismo do Rio Grande do Sul. Além disso, foi finalista do Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo em duas oportunidades.O grande objetivo da Primeira Impressão é trabalhar o jornalismo literário, depois de experiências com outras disciplinas de texto. “Em momentos anteriores, os alunos produzem matérias para os jornais Babélia, em Redação Jornalística I, II e III, e Enfoque, em Redação Experimental em Jornalismo, que os leva, por exemplo, a escrever textos sobre a Vila Brás, comunidade carente de São Leopoldo. Primeira Impressão, que está no currículo para acadêmicos do último semestre, é mais qualificada, possui apelo estético e trabalha com material de mais profundidade”, destaca Thaís Furtado, professora da atividade há 13 anos. Também são docentes Eduardo Veras (texto) e Flávio Dutra (fotografia).Temática e semestral, a revista reforça o que os estudantes aprenderam em sala de aula. O material é escrito por duplas, devido à grande quantidade de alunos na turma, que em geral, chega a 50. Eles produzem 25 matérias e mais de 130 fotos. O envolvimento, no total, é de cerca de 70 acadêmicos. Além das matérias, ainda são escritos mais três textos individuais que são publicados no blog, localizado no site da agência, o Portal3. “Os estudantes são responsáveis por suas matérias. Nosso papel é apenas acompanhar e orientar. Se for preciso, o texto será reescrito três, quatro vezes. O envolvimento é grande, primamos muito por isso, e o prazer na atividade é perceptível”, ressalta Thaís.Páginas vivas da históriaNo primeiro semestre de 2010, Primeira Impressão chega à 33ª edição, e o tema central é o tempo. Com tiragem de mil exemplares, a publicação é distribuída para um mailing que contempla 400 endereços, entre cursos de jornalismo de todo o país, formadores de opinião, bem como veículos de comunicação. Além disso, cada estudante recebe cinco exemplares e também presenteia suas fontes. E, como a criatividade na busca por pautas e pelas melhores fontes e entrevistas não tem limites, os alunos Ricardo Machado e Ana Cristina Basei deram asas à imaginação. Para retratar a eterna espera por um tempo que não volta, foram a Buenos Aires acompanhados por Bruna Schuch e Tárlis Schneider, que cuidaram dos registros fotográficos. O objetivo era saber um pouco mais sobre as Mães da Praça de Maio, mulheres que se reúnem no local para exigir notícias de seus filhos “desaparecidos” durante a ditadura militar na Argentina, ocorrida entre os anos de 1976 e 1983. Ainda hoje, todas as quintas-feiras, elas realizam manifestações, emfrente à Casa Rosada, sede do governo, buscando manter o “desaparecimento” de seus filhos vivo na memória de todos os argentinos.Vida de repórterLeia o relato do aluno Ricardo Machado:Se a experiência vivida em Buenos Aires pudesse ser traduzida em uma única palavra, essa seria “transformação”. É a sala de aula que deixa de ter mesas e cadeiras e se transforma em outro país. São as Madres da Praça de Maio que deixam de ser apenas páginas de um livro e se tornam pessoas reais, ocupando o lugar de narradoras vivas da própria história. E são os alunos de Jornalismo que deixam de ser estudantes e se tornam repórteres e fotógrafos, imersos na capital argentina, diante da primeira pauta internacional da revista Primeira Impressão.O desafio era transformar a ansiedade e o nervosismo em um bom material. Pousamos em Buenos Aires poucas horas antes da entrevista. Na manhã seguinte, era o dia da conversa com Célia Prosperi, uma das Madres da Praça de Maio. Chegando ao local, deparamo-nos com uma senhora de 85 anos, que, mesmo depois de três décadas de luta, não perdeu a ternura no olhar. Os olhos verdes carregam no semblante a existência de quem aprendeu a transformar a dor em luta e a saudade em esperança de dias melhores.Estar na Praça de Maio é habitar o palco das transformações mais significativas da história argentina. Quando o mundo é a sala de aula, a teoria vira prática e a prática vira conhecimento. Fazer essa pauta proporcionouuma grande experiência pessoal e profissional, que reúne, de uma só vez, os três tempos, tema que norteia a revista: o resgate do passado, o compromisso cidadão no presente e a expectativa de um futuro baseado em valores humanos.Uma das publicações universitárias mais premiadas do país, a revista Primeira Impressão propicia a estudantes de Jornalismo um mergulho no dia a dia da profissão, com direito à reportagem internacional2010-06-22 20:59:56 uri:144O site digital mais analógico do mundo2010-06-22 20:51:40slides = 2 Já faz tempo que o álbum de fotos foi parar na internet. Com as câmeras digitais cada vez mais acessíveis, vemos um número expressivo de serviços de armazenamento de imagens na web. Esqueça, porém, o Picasa, o Fotolog e, principalmente, o Flogão. Considerada a melhor e maior rede social de fotos, o Flickr consolidou-se como o número um entre seus concorrentes, sendo a menina dos olhos da gigante Yahoo! contra os aplicativos Google.Inúmeras ferramentas, usuários mais interessantes – e interessados – e melhores possibilidades de relacionamento são alguns dos expedientes que explicam a popularidade do site. Em constante atualização, seja por seus próprios esforços ou pela contribuição dos usuários, o Flickr tem se mantido firme na canibalização das redes sociais – em que todo ano surgem novas alternativas para suplantar as antigas (francamente, alguém ainda usa Orkut?).Criado em 2004, a intenção inicial do Flickr era reunir fotógrafos de todo o mundo. Mas a rede foi crescendo, e fotógrafos amadores, designers e ilustradores começaram a aderir ao novo site. De acordo com o Yahoo!, em média, quatro mil fotos são postadas no site por minuto pelos seus 24 milhões de participantes. O Brasil conta com aproximadamente dois milhões de usuários desse bolo.Juntamente com a Wikipédia, o site é considerado um dos melhores exemplos do que ficou conhecido como web 2.0, a internet feita pelos próprios usuários de forma colaborativa. Foi através do sistema de tags, que permite aos próprios internautas escreverem em suas fotos (e seus amigos também), e especialmente do sistema de grupos, que o Flickr atingiu este feito. Por congregar profissionais e amadores que tiram fotos de qualidade, o site se tornou não apenas um meio de troca entre seus usuários, mas também um banco de imagens importante. Não é à toa que é um dos principais exemplos do uso de Creative Commons.Seus serviços não param de crescer (seja pelo empenho do Yahoo!, seja pela colaboração de seus usuários). Além da possibilidade de armazenar as fotografias em um limite de 200 arquivos para os usuários gratuitos, desde 2008, o sistema permite postar vídeos, editar e organizar álbuns e tags bem como compartilhar arquivos com contatos e grupos. O sistema do Flickr também possibilita ao usuário a criação de cartões postais, livros de fotos e DVDs.Creative Commons é uma ONG voltada a expandir a quantidade de obras criativas disponíveis ao público através de licenças que permitem cópia e compartilhamento de conteúdos, desde que eles não sejamutilizados em situações comerciais.Lomos, leicas e até Super 8 na flickrsferaTalvez o mais curioso do Flickr seja o fato de que, no meio de tanta modernidade, a rede seja o lugar onde as máquinas analógicas ainda sobrevivem. Os entusiastas pelo filme fotográfico em plena era digital debatem a questão em organizações como a Associação dos Amantes do Filme, um grupo que tem como objetivo não deixar a fotografia analógica morrer. Embora boa parte de seus usuários seja adepta das antigas máquinas que agora estão na moda, as LO MOS , é possível encontrar muitos fotógrafos que sequer migraram para o digital (e nem fazem questão, diga-se de passagem) empunhando suas Leicas abastecidas de filme preto e branco.A estética do filme parece que voltou para ficar (pelo menos no que diz respeito ao público da flickrsfera), atraindo mesmo pessoas que tiram fotos pelos seus iPhones. Um dos aplicativos mais famosos entre os fotógrafos do celular da Apple é o Hipstamatic, que simula os efeitos de uma máquina analógica, com direito à escolha do filme e da lente. Já os japoneses – sempre eles – desenvolveram uma digital de baixa qualidade, emulando com perfeição fotos e vídeos analógicos. Com a digital Harinezumi, é possível até mesmo gravar vídeos no antigo estilo Super 8. No Flickr, a marca da câmera e o tipo de filme são tão importantes quanto a própria imagem e, por isso, a maioria das fotos postadas tem a legenda da máquina usada.O Flickr é o ponto de encontro dos amantes da fotografia, sejam eles pais de primeira viagem que querem ter um álbum com fotos legais de seus bebês ou fotógrafos profissionais que usam o site para divulgar seu trabalho. O que existe em comum entre os usuários é que, na flickrsfera, não basta ter uma point-and-shoot (as máquinas digitais mais comuns e baratas) e sair clicando tudo o que vê. O que vale é aquela lente poderosa que transforma qualquer amador em profissional, aquela imagem com composição inusitada de texturas ou mesmo uma fotografia à moda antiga, com filme mesmo. Independente da vertente, o que vale mesmo é amar a fotografia. Essa paixão compartilhada pelos usuários é que faz do Flickr uma das mais bem sucedidas redes sociais do momento.O Flickr é o ponto de encontro dos amantes da fotografia que desejam compartilhar sua paixãoTodas as fotos utilizadas nessa matéria possuem a licença Creative CommonsEntenda o Flickr, a rede social de fotografia que mais cresceu nos últimos anos2010-06-22 20:51:40 uri:153Nova vida para o passado2010-06-23 13:03:49slides = 2As intervenções urbanísticas buscam resgatar detalhes que remetem às origens do município Dura nte um mês, o estudante de Arquitetura Leonardo Corá trabalhou na Antiga Sede da Unisinos, na região central de São Leopoldo, na companhia de outros quatro colegas bolsistas e sob a supervisão do arquiteto e professor da universidade, Fernando Pasquali. O grupo se dedicou à coleta de informações para as bases técnicas de um projeto da prefeitura que pode fazer de São Leopoldo uma importante referência no cenário da arquitetura brasileira contemporânea.A ideia é revitalizar o chamado Corredor Cultural, que se inicia no centro histórico e se estende em sentido Sul pela avenida Independência, e depois, para Leste, até o Museu do Trem. Alguns alunos da Unisinos também realizam estudos na outra margem do rio, e a universidade não descarta a possibilidade de intervenções no bairro Rio dos Sinos e na Rua da Praia, localizada abaixo das avenidas Senador Salgado Filho e Caxias do Sul.A primeira etapa do Corredor Cultural a ser desenvolvida contempla as quadras do Centro de Pequenas Compras, da antiga Unisinos e das praças do Imigrante e Tiradentes. O projeto final dessa fase deve ganhar traço do arquiteto Marcelo Ferraz, do escritório paulista Brasil Arquitetura, uma das maiores referências no que diz respeito à intervenção em edifícios históricos no Brasil. Ferraz é autor do projeto do Museu do Pão, em Ilópolis (RS), e do Museu Rodin de Salvador, na Bahia.Entre 2003 e 2004, o arquiteto também foi presidente do programa Monumenta, responsável pela revitalização de edificações em Porto Alegre e Pelotas. Sua prioridade será a de aprimorar a relaçãoentre cidade e rio: “Parece óbvio, mas é o ponto mais importante.” Ele também irá considerar problemas urbanos de São Leopoldo, como desconforto, poluição visual e, especialmente, a descaracterização cultural e o distanciamento da tradição e das origens do próprio município.A partir da proposta de intervenção urbanística do escritório Brasil Arquitetura, a prefeitura deverá promover o debate com a sociedade. “Qualquer intervenção precisa passar pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE) e por uma audiência pública, aberta a todo cidadão interessado. A seguir, caso haja aceitação, vamos solicitar o projeto arquitetônico final”, esclarece o secretário municipal de Cultura, Vitor Ortiz.Ele acredita que, ao longo do segundo semestre de 2010, o projeto final já esteja pronto. A partir de então, a prefeitura dará sequência à meta de buscar os financiamentos e recursos para viabilizar essas obras. “A gente tem pequenos apoios para essa etapa de trabalho inicial, como do Banrisul, mas ainda é pouco. A nossa estratégia de captação vai ser a de não se ater a apenas uma fonte, mas tentar obter o maior número possível de apoios, tanto na área pública quanto privada”, afirma o secretário.Ideias na rodaFerraz vem desenvolvendo os primeiros estudos desse projeto em conjunto com os estudantes da Unisinos, o qual foi chamado de Projeto Revita. A iniciativa possibilita que a universidade colabore com duas funções para o desenvolvimento do Corredor Cultural. A primeira é fornecer os levantamentos sobre o centro histórico, abastecendo o escritório de Ferraz com toda sorte de apontamentos necessários, desde as medidas dos antigos prédios até os hábitos do entorno. A segunda é sugerir soluções preliminares para a região central. Foram centenas de estudos produzidos não apenas pelos bolsistas, mas por diversos alunos das disciplinas de Atelier de Projeto, Restauração Histórica e Patrimônio Cultural dos cursos de Arquitetura, Design e História. “Contratar todo esse levantamento sairia uma fortuna”, diz a presidente da comissão Revita da Unisinos, Marluza Harres.O material resultante do Projeto Revita foi exibido no início do ano, no segundo andar do Bourbon Shopping São Leopoldo, e de lá seguiu para exposição na prefeitura. Ele abrange diversas propostas de uso para a região, como a instalação de uma roda gigante e o estabelecimento de um centro boêmio na ilha. Porém, o professor Adalberto Heck, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unisinos, ressalva: “Os projetos servem principalmente valorizar, dentro da comunidade, uma discussão em torno da recuperação do Centro de São Leopoldo.”No balanço final, o professor Fernando Pasquali só vê resultados positivos na participação dos alunos no projeto da prefeitura. “Eles fizeram um trabalho excelente. Trabalharam sempre motivados, durante feriados e até nas férias.” O estudante Leonardo confirma a declaração do orientador. “A gente viu como diferentes setores da sociedade opinam no processo. Isso é um pouco conflitante: enquanto alguns defendem o progresso com prédios novos, outros querem a preservação do que é antigo. O arquiteto, então, pode propiciar o encontro desses anseios.” Patrimônio culturalFerraz esteve diversas vezes na cidade. “Vamos olhar para os problemas a partir das transformações socioeconômicas de São Leopoldo, verificar o que se perdeu e o que sobrevive de um passado rico, para só então entender em que cidade queremos viver hoje. E tudo será discutido e aprimorado a partir das contribuições que virão de muitos setores da sociedade – inclusive dos estudantes, é claro”, assegura.Não é novidade para o arquiteto a colaboração com estudantes em seus trabalhos. Ainda segundo o aluno Leonardo, o arquiteto é uma pessoa acessível, muito aberta aos comentários e capaz de compatibilizar as diferentes opiniões. De acordo com Marluza, essa abertura é fundamental para o sucesso de qualquer projeto: “É difícil se ter um gênio que saiba lidar integralmente com um projeto assim. Então, é muito importante mais gente pensando. A possibilidade de êxito aumenta”, completa.Já existem planos para uma segunda etapa do processo de requalificação da cidade, que se estenderia da área junto ao rio até o Museu do Trem, conforme o secretário Ortiz. Adalberto Heck não exclui a possibilidade de a Unisinos envolver-se em novas fases do projeto do Corredor Cultural: “À medida que a prefeitura vai avançando, existe a possibilidade de a gente ampliar o trabalho através de termos aditivos.”Jovens estudantes ajudam a revitalizar Corredor Cultural no centro histórico de São Leopoldo2010-06-23 13:03:49 uri:146A questão ética da biodiversidade2010-06-22 21:06:31Leonardo Maltchik, professor do Programa de Pós-Graduação em Biologia da Unisinos A palavra biodiversidade representa a totalidade de vida em nosso planeta. Até hoje, a ciência identificou aproximadamente 1,8 milhão de espécies. Entretanto, estimativas apontam que existem mais de 10 milhões ainda a serem descobertas. Os dados mostram que a espécie humana é apenas uma pequena fração da vida existente em nosso planeta e que nossa relação com as outras espécies é fundamental para garantir a qualidade de vida de todos os organismos.Para termos uma ideia dos serviços prestados pela biodiversidade, podemos mencionar as inúmeras espécies de plantas que nos fornecem oxigênio e outras tantas que produzem grãos. As frutas que comemos foram polinizadas por insetos, e muitos outros serviços ambientais importantes para a manutenção da vida na Terra (ciclo da água, mecanismos que regulam o clima, produção de medicamentos, etc.) dependem também da sobrevivência desses organismos. Sem dúvida, a biodiversidade é um dos maiores tesouros de nosso planeta. Apesar disso, ela está desaparecendo, e em uma velocidade estonteante. Dados apontam que, a cada ano, dez mil espécies foram extintas no planeta. Infelizmente, essa perda está atrelada às atividades humanas, principalmente à expansão agrícola e urbana. A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade com os seguintes objetivos: aumentar a consciência pública sobre a importância do tema, além dos esforços já empreendidos por governos e comunidades para salvá-la; promover soluções inovadoras para reduzir as ameaças sobre ela; e, por fim, incentivar comunidades, organizações e governos a tomarem medidas imediatas para reduzir a sua perda. Cabe ressaltar que a iniciativa é dirigida a todos – desde poder público, comunidades científicas, meios de comunicação, instituições educativas ou não, agências financeiras, inclusive pessoas comuns. A campanha deverá ter êxito somente se medidas e soluções surgirem em todos os segmentos da sociedade. Em minha avaliação, a conservação da biodiversidade também deve ser vista como uma decisão ética. Afinal, todos os organismos têm direito à vida. Algumas vezes, deve ser considerada uma causa nobre a atitude de impedir a construção de grandes empreendimentos para garantir a sobrevivência de espécies ameaçadas de extinção.Que este Ano Internacional da Biodiversidade possa ser um marco para a valorização da biodiversidade e dos ecossistemas naturais. Dessa forma, estaremos em condições de compreender cada vez mais nosso papel como indivíduos dentro desse imenso planeta azul que conhecemos como Terra.“A cada ano, dez mil espécies desaparecem principalmente devido à expansão agrícola e urbana”2010-06-22 21:06:31 uri:157Palavra do reitor2010-06-24 20:37:30O ensino, a pesquisa e a extensão são, tradicionalmente, o negócio da universidade. A agenda de uma comunidade universitária na sociedade do conhecimento pauta-se pela reinvenção do seu negócio. A reinvenção da produção e a entrega de conhecimento são importantes oportunidades para a Unisinos neste início de século.Queremos ser protagonistas nessa transição da sociedade brasileira para os padrões de uma democracia de economia de mercado socialmente orientada pelo bem comum. Nosso valor agregado resulta da conjunção do bem comum com a inovação tecnológica e o empreendedorismo, duas características da revolução tecnológica.Essa é a nossa entrega de valor à sociedade. Um humanismo que sustenta a busca de sentido da existência humana. Um empreendedorismo inovador na geração e distribuição de riqueza para os concidadãos da sociedade do conhecimento.A Unisinos quer ser reconhecida por esta vanguarda.Prof. Dr. Pe. Marcelo Fernandes de Aquino, SJReitor da Unisinos/2010-06-24 20:37:30 uri:158Ação Social2010-06-24 20:44:19Para graduação, a Unisinos oferece bolsas Filantropia; bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni); e bolsas de Incentivo às Licenciaturas (50% de gratuidade).A universidade também possui 16 projetos sociais, articulados segundo políticas públicas e em parceria com comunidades, entidades, cooperativas e associações.Áreas atendidas: Saúde; Educação de crianças, adolescentes e jovens; Trabalho; Direito; Pluralismo Cultural e das Religiões Étnico-Raciais; Envelhecimento Humano e Inclusão Acadêmica Em 2010/1:Bolsas licenciatura 1.846Bolsas ProUni integral 1.376Bolsas filantropia 42030 professores e 920 alunos envolvidos/ano76,6 mil atendimentos diretos/ano260 mil pessoas atingidas/ano/2010-06-24 20:44:19 uri:159Junho2010-06-24 20:49:1122 a 24/7 10º Congresso de Stress da ISMA-BRLocal: Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre26/7Vestibular UnisinosInscrições até 23/6.Provas em 26/6Local: Câmpus São Leopoldo e Polos de Educação a Distância28 a 30Feira de Educação MatemáticaLocal: Auditório das Ciências Exatas e Tecnologicas31Aniversário de 41 anos da Unisinos e Dia de Santo Inácio de Loyola, fundadorda Companhia de JesusDestaques do mês2010-06-24 20:49:11